segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Funcionária sofre derrame e pode receber R$ 1 milhão do BB
Perícia comprovou que estresse foi a causa de derrame sofrido pela trabalhadora. Ainda cabe recurso da decisão.

Do G1, em São Paulo

O Banco do Brasil foi condenado a indenizar em mais de R$ 1 milhão uma funcionária aposentada por invalidez depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral isquêmico (derrame). Na ação, a ex-funcionária, cujo nome não foi divulgado, alegou que o derrame teria sido causado pela situação de extremo estresse a que fora submetida.
Segundo informações da 10ª Vara do Trabalho de Brasília, a perícia médica de fato acusou o estresse como causa do incidente. A funcionária, que estava grávida, deveria entregar avaliações de desempenho de dez funcionários de sua equipe. Como o parto foi involuntariamente antecipado, uma avaliação ficou pendente.
Ao retornar do hospital, a funcionária teria passado a receber telefonemas de sua chefia cobrando a entrega da última avaliação. Segundo as testemunhas, a pressão a que foi submetida a gerente para a conclusão do trabalho, feita poucos dias após o parto, a levava a crises de choro constantes. Catorze dias após o parto, ela sofreu o derrame.
Segundo uma testemunha do processo, a vítima teria ficado com o lado esquerdo do corpo paralisado e deixado de amamentar o bebê.Na decisão, a Justiça considerou comprovada a responsabilidade do Banco do Brasil no acidente de trabalho.
"A autora não resistiu ao bombardeio e sofreu um acidente violento, físico, mental e irreversível em virtude do comportamento patronal que deu causa ao estresse durante o puerpério", entendeu a juíza Sandra Nara Silva.
O Tribunal determinou o pagamento de R$ 21.795,05 por danos emergentes (gastos com tratamentos médicos hospitalares não cobertos pelo plano de saúde), R$ 1.023.931,71 por danos patrimoniais por lucros cessantes (correspondente à diferença entre o salário recebido na ativa e o pago na aposentadoria, 25% inferior) e R$ 200.000,00 por danos morais. Cabe recurso.
Contatado pelo G1, o Banco do Brasil não se pronunciou sobre o caso.

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