Todos os dias àquela mesma hora, todos os freqüentadores daquele pobre bar situado numa das ruas mais antigas e também movimentadas o viam ali, sempre sentado na mesma mesa, tomando o mesmo café.
Até aí pode parecer algo normal. Aliás, muitas pessoas freqüentavam aquele lugar já que boa parte dos trabalhadores do centro comercial da cidade era obrigada a passar por aquele bar seja apenas por ocasião da sua localização ou por terem se habituado a fazer suas refeições já perto do seu trabalho.
O homem ia lá todos os dias fizesse sol ou caíssem as mais tórridas chuvas. Sentava-se sempre no mesmo lugar, quieto, silencioso, apenas observando com um olhar distante as pessoas que passavam pelas ruas. Parecia que estava à espera de alguém. Talvez não esperasse nada a não ser pela chegada daquela coisa a que todos os seres vivos estão sujeitos a um dia encontrar.
Como já fazia muitos anos que sem falhar sequer um dia, já não mais precisava pedir o café nem os pães que saboreava todas as manhãs. Para dizer a verdade, fazia muito tempo que a sua voz não se fazia ouvir naquele ambiente. Chegava. Sentava. Traziam o café e o pão. Comia. Olhava para as pessoas que passavam. Ia embora.
Ninguém sabia onde ele morava, nem se tinha casa, esposa, filhos. Nada. Nem mesmo do seu nome, apelido ou qualquer coisa que o identificasse ninguém mais sabia ou talvez nem tivesse qualquer importância para quem quer que fosse.
Vestia sempre o mesmo estilo de roupas e sapatos como se realmente tudo neste mundo tivesse parado num passado remoto e que o presente o castigasse em demasia. Parecia querer voltar no tempo. Voltar ao convívio de pessoas de uma época em que vivia bem, cercado de pessoas que gostavam dele, talvez de um grande amor que havia se perdido no tempo.
Algumas pessoas até cochichavam pelos cantos do bar. Chegaram em determinada época a fazer apostas sobre sua identidade. Para alguns não passava de um velho sozinho; já para outros era um louco ou até um antigo pistoleiro de aluguel que estivesse exilado naquela cidade. Por semanas tentaram descobrir alguma coisa a seu respeito. De nada adiantou. As apostas ficaram sem vencedor. O mistério continuou e com o passar do tempo nem o interesse das pessoas resistiu. Todos acabaram por esquecê-lo.
Certa manhã a cena parecia estar se repetindo. Chegou calado. Sentou-se. Serviram-lhe o café e os pães. Comeu e ficou parado por alguns instantes. Estava olhando de maneira estática para o movimento frenético das pessoas apressadas para chegar rapidamente ao trabalho quando ele começou a mudar sua expressão.
Seu rosto começou a exibir um sorriso que apesar de amarelado pelo tempo e pelo café parecia iluminar-se de um brilho intenso como se a felicidade há muito tempo escondida tivesse retornado àquele triste coração. Todos pararam para ver a cena que parecia ser improvável enquanto o mesmo senhor que todos os dias olhava para o infinito com uma expressão séria gargalhava e sorria.
De repente, as gargalhadas cessaram. Ele tomou um pedaço de papel amarelado pelo tempo e caiu. Morreu com um sorriso nos lábios e um papel nas mãos. Permaneceu ali sem que nenhuma das pessoas que viram a cena tivesse coragem de lhe prestar socorro.
Passados alguns instantes uns poucos correram em sua direção, mas de nada adiantava mais. Estava morto. Procuraram então ler o conteúdo daquele bilhete que trazia consigo em uma das mãos. Em poucas linhas e com belas letras o mistério daquele homem passava a ser revelado:
“Querido Paulo,
Por favor, me encontre no bar próximo à loja de meus pais logo cedo. Não posso nem acreditar que muito em breve estaremos finalmente juntos e seremos felizes para sempre.
Da sua eterna amada,
Ana.”
Ficou-se sabendo que ele chamava-se Paulo e que há muitos anos tinha namorado uma jovem chamada Ana e que o romance entre os dois fora proibido pelos pais dela. Ana havia falecido quando tentava atravessar a rua para fugir com seu amante atropelada por um carro e, desde então, ele passou a ir ao local combinado esperando que sua amada chegasse.
Até aí pode parecer algo normal. Aliás, muitas pessoas freqüentavam aquele lugar já que boa parte dos trabalhadores do centro comercial da cidade era obrigada a passar por aquele bar seja apenas por ocasião da sua localização ou por terem se habituado a fazer suas refeições já perto do seu trabalho.
O homem ia lá todos os dias fizesse sol ou caíssem as mais tórridas chuvas. Sentava-se sempre no mesmo lugar, quieto, silencioso, apenas observando com um olhar distante as pessoas que passavam pelas ruas. Parecia que estava à espera de alguém. Talvez não esperasse nada a não ser pela chegada daquela coisa a que todos os seres vivos estão sujeitos a um dia encontrar.
Como já fazia muitos anos que sem falhar sequer um dia, já não mais precisava pedir o café nem os pães que saboreava todas as manhãs. Para dizer a verdade, fazia muito tempo que a sua voz não se fazia ouvir naquele ambiente. Chegava. Sentava. Traziam o café e o pão. Comia. Olhava para as pessoas que passavam. Ia embora.
Ninguém sabia onde ele morava, nem se tinha casa, esposa, filhos. Nada. Nem mesmo do seu nome, apelido ou qualquer coisa que o identificasse ninguém mais sabia ou talvez nem tivesse qualquer importância para quem quer que fosse.
Vestia sempre o mesmo estilo de roupas e sapatos como se realmente tudo neste mundo tivesse parado num passado remoto e que o presente o castigasse em demasia. Parecia querer voltar no tempo. Voltar ao convívio de pessoas de uma época em que vivia bem, cercado de pessoas que gostavam dele, talvez de um grande amor que havia se perdido no tempo.
Algumas pessoas até cochichavam pelos cantos do bar. Chegaram em determinada época a fazer apostas sobre sua identidade. Para alguns não passava de um velho sozinho; já para outros era um louco ou até um antigo pistoleiro de aluguel que estivesse exilado naquela cidade. Por semanas tentaram descobrir alguma coisa a seu respeito. De nada adiantou. As apostas ficaram sem vencedor. O mistério continuou e com o passar do tempo nem o interesse das pessoas resistiu. Todos acabaram por esquecê-lo.
Certa manhã a cena parecia estar se repetindo. Chegou calado. Sentou-se. Serviram-lhe o café e os pães. Comeu e ficou parado por alguns instantes. Estava olhando de maneira estática para o movimento frenético das pessoas apressadas para chegar rapidamente ao trabalho quando ele começou a mudar sua expressão.
Seu rosto começou a exibir um sorriso que apesar de amarelado pelo tempo e pelo café parecia iluminar-se de um brilho intenso como se a felicidade há muito tempo escondida tivesse retornado àquele triste coração. Todos pararam para ver a cena que parecia ser improvável enquanto o mesmo senhor que todos os dias olhava para o infinito com uma expressão séria gargalhava e sorria.
De repente, as gargalhadas cessaram. Ele tomou um pedaço de papel amarelado pelo tempo e caiu. Morreu com um sorriso nos lábios e um papel nas mãos. Permaneceu ali sem que nenhuma das pessoas que viram a cena tivesse coragem de lhe prestar socorro.
Passados alguns instantes uns poucos correram em sua direção, mas de nada adiantava mais. Estava morto. Procuraram então ler o conteúdo daquele bilhete que trazia consigo em uma das mãos. Em poucas linhas e com belas letras o mistério daquele homem passava a ser revelado:
“Querido Paulo,
Por favor, me encontre no bar próximo à loja de meus pais logo cedo. Não posso nem acreditar que muito em breve estaremos finalmente juntos e seremos felizes para sempre.
Da sua eterna amada,
Ana.”
Ficou-se sabendo que ele chamava-se Paulo e que há muitos anos tinha namorado uma jovem chamada Ana e que o romance entre os dois fora proibido pelos pais dela. Ana havia falecido quando tentava atravessar a rua para fugir com seu amante atropelada por um carro e, desde então, ele passou a ir ao local combinado esperando que sua amada chegasse.
por: Luciano Oliveira dos Santos
Nenhum comentário:
Postar um comentário