sexta-feira, outubro 20, 2006

Navio com 105 pesquisadores inicia 25ª missão à Antártida

Por Karine RodriguesRio, 20 (AE) - Invertebrados marinhos que habitam o fundo do mar da Baía do Almirantado, na Antártida, vão estar, em pouquíssimo tempo, na mira de especialistas brasileiros.Os cientistas vão analisar substâncias presentes nos substratos, que podem ter propriedades terapêuticas. O estudo vai ser feito in loco, assim como outros 20 projetos científicos incluídos na 25ª edição da Operação Antártica, iniciada hoje, com a partida do Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel.Com 105 pessoas, entre tripulantes e pesquisadores, a embarcação deixou o píer da Ponta da Armação, em Niterói, para uma viagem que só termina no dia 14 de abril.Comandante no navio, o capitão-de-mar-e-guerra José Carlos dos Santos Parente destacou a importância das missões para a pesquisa, e declarou que, sem o Ary Rongel, seria inviável manter uma base avançada do Brasil na Antártida, na Estação Comandante Ferraz, onde a maioria dos estudos são desenvolvidos. "A Antártida é um celeiro do conhecimento. O tempo frio que está fazendo hoje no Rio pode, por exemplo, ser explicado pelo que está acontecendo lá. E o que descobrimos lá é relevante para o mundo inteiro", disse, aproveitando para defender a elevação das verbas destinadas à operação. A maior parte dos 27 pesquisadores envolvidos no projeto permanece em terra firme, aguardando a próxima parada do navio, no Sul do País, pois integram um grupo da Universidade Federal do Rio Grande.Alga antiaquecimento - Dos cinco que embarcaram hoje, o geoquímico Ricardo Pollery, 43 anos, já acumula uma grande experiência em missões na Antártida. Professor da Universidade de Santa Úrsula, viaja pela quinta vez. Agora, vai concentrar sua atenção na Patagônia, para comprovar se uma determinada área apontada por um satélite americano tem, de fato, grandes concentrações de um tipo de alga microscópica."Vamos checar se a informação procede e passar os dados para calibrar o satélite. Além disso, vamos analisar o quanto de gás carbônico as algas são capazes de retirar da atmosfera. Isso é muito importante, pois o CO2 contribui para o efeito estufa, que promove o aquecimento do planeta", detalhou ele, emocionado enquanto o navio começava a se afastar do píer.Missão longa - Lágrimas, aliás, não faltaram na hora da partida, por conta do longo período da viagem. Sandra Castro Viana, 32 anos, chorou bastante, abraçada ao marido, o cabo Alfredo Ribeiro Viana, 37 anos, e aos dois filhos. "A gente queria que esse momento chegasse, pois é importante profissionalmente. Mas a distância vai doer demais", disse.Também em sua primeira missão à Antártida, o capitão-tenente Alexandre Moreira Valente, médico de 33 anos, procurava se tranqüilizar pensando que, no Natal, vai estar ao lado da mulher, aproveitando uma das paradas até a Antártida. "Ela vai para o Chile e eu poderei desembarcar para passarmos a festa juntos", contou ele, que passou os últimos momentos em solo com a filha caçula, Ana Júlia, de 2 anos, no colo.
Agência Estado

Nenhum comentário: